Feminilidade e o não-posicionamento político

Uma das construções violentas da feminilidade e sua associação necessária com as mulheres é o fato de que as mesmas não conseguem, não querem, ou mesmo tem aversão a se posicionar politicamente, a dar sua opinião, perguntar, questionar, indagar o outro. Uma mulher que se posiciona com firmeza ainda está associado a agressividade, já que se espera que uma mulher seja sempre dócil. Pode se posicionar, mas tem que ser rindo, sorrindo ou pedindo desculpas. Durante toda sua vida a mulher vai perdendo autonomia, se sentindo culpada quando se posiciona frente a outra mulheres, quando pergunta, indaga, questiona, defende um ponto de vista. Indagar a outra ainda é visto com desconfiança, como se se quebrasse o contrato de docilidade entre as mulheres. Acusa-se aquela que se posiciona como arrogante, autoritária. Em todo esse processo, perde-se a ação política, projeta-se para dentro, criam-se intrigas e desconexão com as outras. A mulher vai pouco a pouco minando sua autonomia e a autonomia de cooperação entre mulheres.

Daniela Alvares Beskow

18 de novembro de 2015

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